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morreste-me, JLPeixoto. lunario, Al berto. the melancholy death of oyster boy, Tim Burton. uma casa na escuridao, JLPeixoto. livro de cronicas, António Lobo Antunes. cao velho entre flores, Batista Bastos. o principezinho, Antoine de Saint-Exupéry. admirável mundo novo, Aldous Huxley.
sento-me com a tua foto do meu lado, quieta, sempre tão quieta, hoje quero escrever-te uma carta de amor, um bonita e, de preferência, grande carta de amor. o teu nome é poético, luís, o teu nome rima com mil e um vocábulos que não gosto, ainda assim é poético. Luís rima com chafariz, paris… rima com amor. o começo da carta por si só já é um problema, não sei se hei-de começar com um lamechas “meu amor” ou com o banal “luís”, então e para ser diferente começo com “ora então”. ora então: e agora? pergunto-te se está tudo bem? mas ainda à pouco falei contigo. teço-te meia dúzia de promessas de amor? tenho feito isso desde que entraste na minha vida. todas as palavras me parecem demasiado pequenas para o sentimento que lhes quero dar. desisto, só consigo escrever amor. amor. olho a carta pela última vez. parece-me a mais feia e pequena carta de amor, ainda assim a mais verdadeira. ora então: amor.
"- O que quer dizer cativar ? - Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras? - Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar? - É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços... - Criar laços? - Exactamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua idéia: - Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo... A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe: - Por favor, cativa-me! disse ela. - Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer. - A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me! Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"